sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Qual é o teu nome?

Vau de Jaboque, palco da batalha entre Jacó e o anjo.


"E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque. E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha. Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste. E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva. E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa." (Gn 32.22-31)

Não restam dúvidas de que este é um dos grandes mistérios de toda Bíblia, a luta entre Jacó e um varão. Os escritos sagrados não detalham esta passagem, o que dificulta ainda mais sua interpretação. No versículo 24 um ponto-e-vírgula separa dois instantes completamente diferentes, o que nos faz pensar quanto tempo se passou entre um e outro e o porquê do enfrentamento físico.

Jacó estava num momento em que podemos afirmar, já tinha colhido bastante de sua semeadura, através de Labão. Ele, de nome usurpador, durante os vinte anos que serviu o sogro pôde sentir na pele o que é ser deixado para trás. Por outro lado, foi durante este mesmo período, que Jacó mais prosperou e cresceu em intimidade com Deus. Ele agora tinha visão aberta, via e ouvia os anjos de Deus e, ali, só, ele pôde não somente ver mas lutar com um deles (Oséias 12.4). O porquê a Bíblia não diz, mas, o curioso é que num momento de solidão Deus então o visitou de forma mais íntima.

Muitas vezes, nós queremos a multidão, queremos barulho. O Senhor faz como quer e quando quer, Igreja! Quão grande são os Seus caminhos. Embora Jacó já tivesse vivenciado algumas experiências sobrenaturais, ali, no silêncio do vale lhe esperava talvez aquela que viesse a ser a maior e mais forte experiência de sua vida: o encontro com Deus. Em meio a tantos afazeres e papéis a serem cumpridos, quando foi a tua última experiência marcante? Não aquelas que provocam sensações, choro ou alegria, mas, aquelas como a de Jacó em que saímos marcados e transformados pelo Senhor dos Exércitos? Se estás no vale, aproveite-o com inteligência, porque o vale é o "gabinete" de Deus!

Aquele anjo se privou de causar qualquer dano mais grave a Jacó e curiosamente pediu permissão para ir embora como que testando a determinação de Jacó mediante aquela situação. Certo dizer que seu desejo era por uma benção, afinal, Deus já havia falado que lhe faria bem e mesmo manco, o filho de Isaque não se conformava em deixar o anjo ir embora ficando de mãos vazias. Principalmente por ter ficado toda uma noite naquele embate. Ao responder seu nome, Jacó sinceramente reconhece os feitos de seu passado não tão louvável. Sua sinceridade, sua persistência demonstram alguém maduro que parece ter aprendido com os intempéries da vida. A coroação de seu ministério se dá quando o anjo muda-lhe o nome porque ele mesmo já havia sido mudado!

Como desejar uma nova unção sem transformação? Como pensar em promessas realizadas sem se estruturar para vivê-las? Muitos querem mais de Deus, mas será que querem mesmo? Porque quanto mais intimidade maior o confronto: "Qual é o teu nome?". Precisamos estar preparados para sermos tocados na área que mais nos provoca dor, naquela que talvez esteja "fora da área de cobertura" do Senhor. A mudança externa reflete o estado interior do cristão. Para ser Israel por fora é preciso ser Israel por dentro ("pois como príncipe lutaste com Deus e prevaleceste"). Seu novo nome apenas confirmava quem agora ele era, não mais um trapaceiro, porém, um príncipe pronto para receber sua herança! Se assim o fosse até os dias atuais não teríamos tantos homens com títulos que não correspondem ao seu chamado ou ao seu momento. Tantos nomes evazios... apenas nomes... apenas títulos... "levitas" sem louvor... pastores sem ovelhas... cargos... ocupados por quem não quis passar pelas provas do "professor" Labão e nem confessar seus trapaceios.

Crente que é crente tem que ter um Peniel na vida! Não deixemos o mundo com suas ansiedades e expectativas moldar nossa vida cristã! Se ELE prometeu ministério, dará teu ministério. Se ELE prometeu tal benção, dará tal benção. Até lá, viva um dia de cada vez, porque se assim o fizer, saiba que teu Peniel tem dia e hora marcada. Quando ELE bradar a teu favor na terra dos viventes o que há de ser será! Não pegue atalhos. Não caia na tolice de ajudar o Senhor a cumprir em tua vida o que te fora prometido. Se és Jacó, confesse. Deixe a palavra de Deus te formar em Israel porque teu maior tesouro já está em tuas mãos (a salvação) e mesmo Jacó pareceu entender isso: "Tenho visto a Deus face a face e a minha alma foi salva" (v.30).

O testemunho de Jacó foi muito muito forte. Sua transformação interior coroada pela mudança de nome foi tão intensa, tão verdadeira que alegrou muitíssimo o coração de Deus. Tanto que até o "nome" de Deus foi mudado:

"E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração" (Êxodo 3.15).

E o nosso testemunho? Será que também o é?





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